O uso de paredões de som durante o Carnaval de 2026 em Camocim, no litoral oeste do Ceará, gerou uma onda de críticas por parte de moradores e trabalhadores que atuaram na festa. Entre as principais reclamações estão a falta de organização, ausência de fiscalização e o volume excessivo dos equipamentos, especialmente na Avenida Beira-Mar.
Frequentadora da festa há mais de duas décadas, uma moradora relatou à reportagem que esta foi uma das edições mais problemáticas que já presenciou.
“Eu participo do Carnaval de Camocim há mais de 20 anos, seja curtindo ou trabalhando, e posso afirmar que o Carnaval de 2026 foi fraco, desorganizado e caro. O que mais pegou foi a desorganização, foi a terra sem lei”, desabafou.
Segundo ela, o controle sobre os paredões de som praticamente não existiu. “Sobre os paredões não teve limite. Não adiantava chamar a polícia ou reclamar na organização do evento. Cada um colocava o som onde queria e no volume que desejasse. O que era pra alegrar virou motivo de revolta e aborrecimento.”
A moradora descreve o cenário como caótico. “Parecia que a porta do inferno tinha sido aberta e o mundo ia se acabar. Ninguém conseguia conversar, pensar, ouvir uns aos outros e nem trabalhar. Teve vários trabalhadores que se agoniaram com a loucura desses sons.”
As críticas se concentram principalmente na área da Avenida Beira-Mar, em um trecho que deveria funcionar como praça de alimentação, antes da área conhecida como “mela-mela”. “Foi um verdadeiro caos”, afirmou.
Ela também fez um apelo direto às autoridades municipais. “Peço às autoridades que não se abram para as pessoas que desconhecem a palavra respeito. Se assim aceita, é sinal que não sabe o que é respeito também.”
Comerciantes e ambulantes ouvidos pela reportagem confirmaram que o volume excessivo prejudicou o atendimento e afastou parte do público familiar. A principal queixa é a falta de delimitação de espaços e de regras claras para o uso dos equipamentos sonoros.
Até o momento, a organização do evento e a Prefeitura de Camocim não divulgaram balanço oficial sobre a fiscalização dos paredões durante o Carnaval deste ano. O debate sobre limites, ordenamento urbano e respeito às normas de convivência deve voltar à pauta nas próximas edições da festa.
Jornalismo @miqueiasradio
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