De acordo com o relato, a paciente foi encaminhada a Fortaleza para realizar uma histeroscopia. Como determina o protocolo médico, ela só poderia receber alta após a recuperação completa dos efeitos da sedação, sendo liberada por volta das 18 horas.
O que aconteceu em seguida causa indignação: o carro da Prefeitura simplesmente foi embora. A justificativa apresentada teria sido que o motorista encerrava seu expediente às 17h30 e, por isso, não aguardaria a paciente.
A pergunta que fica é simples: desde quando o relógio do servidor vale mais do que a segurança de um paciente? A alta médica não acontece quando a Prefeitura quer, mas quando o médico autoriza. Saúde não funciona em horário comercial.
Sem o transporte que deveria estar à sua disposição, a família precisou desembolsar dinheiro e correr atrás de um veículo particular para buscar a paciente em Fortaleza. Depois de passar um dia inteiro entre viagem, exames, procedimento e recuperação da anestesia, ela ainda enfrentou mais horas de espera e desgaste para conseguir voltar para casa.
Segundo o denunciante, esta não é a primeira vez que enfrenta problemas com o transporte da saúde. Em outra ocasião, uma familiar em tratamento oncológico também teria sofrido com a falta de assistência. Se os relatos se repetem, fica a preocupação de que o problema possa ser mais amplo e mereça atenção da gestão.
Prefeito Leandro César, a população quer respostas. Quem autoriza um paciente a ser deixado para trás? Existe algum protocolo da Secretaria de Saúde para casos em que a alta médica ocorre após o horário previsto? Se existe, por que não foi seguido? Se não existe, quando será criado?
A saúde pública não pode tratar pacientes como números de uma escala de trabalho. Pessoas doentes precisam de acolhimento, responsabilidade e respeito. Quem depende do transporte da Prefeitura não está fazendo um passeio; está buscando atendimento médico, muitas vezes em momentos de fragilidade.
Saúde não é favor. É obrigação. E abandonar um paciente após um procedimento médico é uma denúncia grave que precisa ser esclarecida.
Jornalismo @miqueiasradio
