"Crianças da localidade de Tabocal seguem sem conseguir chegar à escola; mãe afirma que alunos choram para estudar e cobra providências urgentes."
A denúncia sobre falhas no transporte escolar da zona rural de Camocim continua gerando revolta. Após relatar que seus três filhos estavam perdendo aulas por falta do veículo responsável pelo transporte dos estudantes, a moradora Denise Henrique, da localidade de Tabocal, voltou a procurar a imprensa para informar que o problema persiste e que as crianças já acumulam quatro dias consecutivos sem frequentar a escola.
Segundo a mãe, os alunos continuam aguardando o transporte diariamente, mas o veículo não comparece para buscá-los.
"Meus três filhos ficaram esperando. O carro não veio, não veio de jeito nenhum. Já passou do horário e os meninos vão ficar em casa mais uma vez", relatou.
Denise afirma que seus filhos estudam nas escolas João Paulo dos Santos e Manuel Cristino de Brito e dependem exclusivamente do transporte escolar para chegar às salas de aula.
Sem alternativa, a mãe tem tentado ensinar as atividades em casa para minimizar os prejuízos causados pela ausência das aulas.
"Os meninos vão fazer as tarefinhas em casa porque eu estou ensinando eles aqui. As crianças chegam a chorar porque querem ir para o colégio e o carro não vem buscar", desabafou.
A situação já havia sido comunicada às unidades de ensino. Em mensagens recebidas anteriormente, pessoas ligadas às escolas informaram que a questão estaria sob responsabilidade do setor de transporte escolar e que as direções não teriam autonomia para determinar as rotas dos veículos.
Entretanto, a moradora afirma que, após as primeiras reclamações, não recebeu mais nenhuma resposta concreta.
"Nem a direção da Escola Manuel Cristino de Brito tomou providência. Também não recebi mais retorno da Escola João Paulo dos Santos. Depois das mensagens que eu mostrei, ninguém respondeu mais nada", afirmou.
Revolta aumenta após quatro dias sem aulas
Em um novo desabafo enviado à reportagem, Denise revelou que os filhos já completaram quatro dias consecutivos sem conseguir frequentar as aulas devido à falta do transporte escolar.
"Hoje está completando quatro dias que meus filhos estão perdendo aulas, pois não estão sendo tomadas as providências necessárias em relação ao transporte escolar que os leva para a escola."
A mãe também criticou a situação das estradas da região e cobrou mais atenção do poder público.
"Fico muito chateada com essa situação. Quando os candidatos chegam às nossas casas pedindo voto, vêm com sorrisos no rosto e prometem melhorias. Mas a realidade que estamos vivendo é outra."
Segundo ela, as condições das vias também contribuem para o problema.
"As estradas estão em péssimas condições e, enquanto isso, meus filhos continuam sem conseguir chegar à escola. Já são quatro dias de prejuízo para a educação deles."
Conselho Tutelar e Ministério Público precisam agir
A situação relatada pela família vai além de um simples problema operacional no transporte escolar. O caso envolve diretamente o direito fundamental à educação, garantido pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Diante da gravidade da denúncia, o Conselho Tutelar precisa acompanhar o caso e adotar as medidas cabíveis para garantir que as crianças tenham acesso regular às aulas e não continuem sendo prejudicadas pela falta do transporte escolar.
Da mesma forma, o Ministério Público deve ser provocado a intervir com urgência, apurando as denúncias e cobrando dos órgãos responsáveis uma solução imediata. Quando alunos deixam de frequentar a escola por falhas reiteradas do transporte público escolar, não se trata apenas de um transtorno para as famílias, mas de uma possível violação de direitos de crianças e adolescentes.
Enquanto o problema permanece sem solução, estudantes seguem acumulando faltas e prejuízos pedagógicos sem qualquer responsabilidade sobre a situação.
"Como mãe, estou cansada e indignada. Meus filhos querem estudar, querem ir para a escola, mas continuam sendo impedidos por um problema que ninguém resolve", concluiu Denise.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Secretaria Municipal da Educação, da coordenação do transporte escolar, das direções das escolas citadas, do Conselho Tutelar e do Ministério Público. :::
Jornalismo @miqueiasradio

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