Uma denúncia grave envolvendo a saúde pública do município de Barroquinha chegou à nossa redação e escancara o que muitos moradores já relatam há tempos: descaso, demora absurda e abandono de pacientes, até mesmo em situações consideradas urgentes.
De acordo com o relato de uma moradora, que pediu para ter sua identidade preservada, um simples exame de raio-x, solicitado como parte de um procedimento pré-operatório, ficou engavetado por cerca de dois anos sem qualquer encaminhamento para realização.
A paciente, que não identificaremos para preservar sua identidade, enviou à reportagem imagens da requisição do exame, datada de 07 de março de 2024, demonstrando que o procedimento solicitado era básico, mas permaneceu sem resposta por tempo considerado revoltante.
Segundo a denúncia, o exame era necessário para que a paciente pudesse seguir com o processo de cirurgia para retirada de pedra na vesícula, problema que causava dores intensas e crises frequentes.
“Se dependesse da Secretaria, eu teria morrido”, desabafa moradora
A denunciante relata que buscou atendimento e aguardou pelo exame dentro do município, mas sem retorno. Com o agravamento do quadro de saúde, foi obrigada a procurar atendimento em outro município e realizar o procedimento por conta própria.
Hoje, já operada e recuperada, ela afirma que o exame solicitado perdeu o sentido, já que a cirurgia foi realizada fora da rede municipal.
O caso ganha ainda mais repercussão após a paciente relatar que somente agora, dois anos depois, uma Agente Comunitária de Saúde (ACS) teria aparecido em sua residência entregando o encaminhamento e informando que ela poderia realizar o raio-x, devido a um “mutirão” que estaria acontecendo na cidade.
Promessa de campanha não cumprida
O episódio também resgata críticas contra a gestão municipal. A denúncia lembra que, durante a campanha eleitoral, o prefeito Jaime Veras anunciou que, com a reforma do hospital, Barroquinha passaria a contar com aparelho de raio-x fixo, evitando que moradores precisassem se deslocar para cidades vizinhas.
Dois anos depois, no entanto, a população segue dependendo de medidas improvisadas, como mutirões e caminhões contratados, para ter acesso a exames simples.
Denúncia aponta possível perseguição política
A paciente ainda afirmou suspeitar que o caso possa envolver perseguição política, já que, segundo ela, é adversária do atual gestor. Para ela, não existe justificativa para que um exame tão simples tenha sido “esquecido” por tanto tempo, enquanto a saúde da população segue em risco.
Indignada, ela informou que se recusou a realizar o exame agora, já que não precisa mais, e relatou à própria ACS que só conseguiu resolver seu problema porque buscou atendimento fora do município.
População cobra providências
O caso gera indignação e levanta questionamentos graves: quantos outros exames estão engavetados? Quantos pacientes ainda aguardam atendimento? Quantas pessoas podem estar adoecendo ou até morrendo por falta de assistência básica?
A denúncia comprova o sentimento de abandono enfrentado por moradores que dependem exclusivamente do sistema público municipal.
A reportagem reforça que o espaço segue aberto para que a Prefeitura de Barroquinha e a Secretaria Municipal de Saúde se manifestem sobre o caso, esclarecendo os motivos da demora e apresentando informações sobre a contratação do caminhão e a realização do mutirão.
Jornalismo @miqueiasradio



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