A distribuição dos kits escolares entregues pela Prefeitura de Camocim está gerando forte repercussão e diversas denúncias por parte da população. Durante pronunciamento na Câmara Municipal, a vereadora Neiri do Dão afirmou que recebeu inúmeras reclamações sobre a qualidade dos materiais distribuídos aos alunos da rede pública municipal e levantou questionamentos sobre a licitação que custou cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.
Segundo a parlamentar, além das denúncias sobre o material, outro fator que chamou atenção foi o atraso na entrega, já que os kits só começaram a ser disponibilizados no final do mês de abril.
“Recebemos várias denúncias quanto ao kit escolar que foi distribuído no município. Kit esse que já veio com atraso, porque só foi disponibilizado agora no finalzinho do mês de junho”, declarou.
Licitação milionária e propostas mais baratas desclassificadas
A vereadora citou que o município realizou o processo licitatório para aquisição dos kits escolares destinados aos alunos da rede municipal. Conforme relatado, a empresa vencedora foi a Global Negócios e Consultoria Empresarial LTDA, com contrato no valor aproximado de R$ 1,5 milhão.
A parlamentar afirmou ter estranhado o resultado do processo, pois, segundo ela, diversas empresas teriam apresentado propostas com valores inferiores e mesmo assim foram desclassificadas.
Entre as empresas mencionadas, ela destacou:
RS Comércio – proposta de R$ 985 mil
Norte – cerca de R$ 998 mil
FortiUp – aproximadamente R$ 1.014.000
Expert – aproximadamente R$ 1.014.000
“Vi que várias outras empresas foram desclassificadas, empresas que tinham um valor inferior à empresa vencedora”, afirmou.
A vereadora ressaltou que não é especialista em licitações e pediu que o vereador Kleber, líder da prefeita na câmara, que possui mais experiência na área, possa esclarecer se a desclassificação ocorreu por outros critérios além do preço.
“A prefeita está de parabéns por entregar, mas a qualidade é vergonhosa”, diz vereadora
Durante a fala, a parlamentar deixou claro que não critica a iniciativa da gestão em distribuir kits escolares, mas sim a qualidade do material entregue.
“A prefeita está de parabéns pela iniciativa de entregar o kit. O que eu estou contestando é a qualidade desse kit”, reforçou.
Caixa de papelão custando R$ 15,75 por unidade
Um dos pontos mais polêmicos apresentados foi o custo da embalagem. De acordo com a vereadora, o kit do Fundamental 1 teria sido entregue em uma simples caixa de papelão, com valor unitário de R$ 15,75 pago com dinheiro público.
“Essa caixinha de papelão custou aos cofres municipais R$ 15,75 a unidade”, denunciou.
Mochila custou R$ 83,88, mas não teria qualidade compatível
Ao exibir o kit no plenário, a vereadora destacou que a mochila entregue tem aparência bonita e o emblema do município, mas seria feita com material simples, sem bolsos internos e sem estrutura adequada.
Segundo ela, a mochila custou aos cofres públicos R$ 83,88 por unidade.
“Ela não tem nenhum tipo de bolso. É só uma espécie de lona. O forro é fininho”, afirmou.
A parlamentar citou ainda que diversos moradores têm publicado vídeos e relatos nas redes sociais mostrando mochilas já desgastadas pouco tempo após a entrega.
Comparação com comércio local aponta preços menores e produtos superiores
A vereadora afirmou que, para comprovar as denúncias, decidiu realizar uma pesquisa por conta própria, comprando itens semelhantes no comércio de Camocim, como pessoa física, no varejo, com notas fiscais em seu CPF.
Ela relatou que comprou uma mochila de marca conhecida, com melhor acabamento e mais compartimentos, por valor inferior ao pago pela Prefeitura.
Segundo ela, a mochila adquirida no comércio custou R$ 69,00, com qualidade superior ao modelo fornecido no kit municipal.
“Eu comprei uma mochila toda forrada, com divisões internas, zíper reforçado, de marca conhecida. E paguei R$ 69,00”, declarou.
Ela disse que a maioria dos itens foi comprada na Papelaria Parente, exceto o squeeze, adquirido em outro local.
Régua, squeeze e personalização questionada
Outro item comparado foi o kit de régua. Segundo a vereadora, o município pagou R$ 9,37, enquanto ela encontrou o mesmo produto no comércio local por R$ 7,60.
Ela também questionou o squeeze entregue, alegando que a “personalização” seria apenas um adesivo colado, contrariando o edital que exigia itens personalizados.
“O squeeze é um adesivo. Não é personalizado na própria garrafa”, disse.
O squeeze teria custado cerca de R$ 12,25 para os cofres públicos, enquanto a vereadora afirmou ter encontrado opções melhores por R$ 7,99.
Canetinhas, cola e marcas consideradas “inferiores”
A vereadora afirmou que não conseguiu encontrar no comércio local algumas marcas entregues no kit, como canetinhas, lápis de cor e cola, pois comerciantes teriam informado que se tratariam de produtos de baixa qualidade, geralmente vendidos apenas para licitações.
“Disseram que é uma marca inferior e que normalmente não se vende no comércio em geral”, afirmou.
Mesmo assim, ela disse ter comprado materiais de qualidade superior por valores mais baixos do que os registrados na licitação.
Entre os exemplos citados:
Lápis de cor: prefeitura pagou R$ 10,75 / ela comprou melhor por R$ 7,60
Canetinhas: prefeitura pagou R$ 9,99 / ela comprou por R$ 6,95
Cola branca: prefeitura pagou R$ 3,88 / ela comprou por R$ 2,90
Caderno de 10 matérias: Prefeitura pagou R$ 34,20
O caderno também foi alvo de críticas. A vereadora relatou que o caderno entregue, apesar de bonito e personalizado, já apresentava sinais de desgaste e rasgos.
Segundo ela, o município pagou R$ 34,20 por um caderno de 10 matérias. No comércio local, ela afirmou ter comprado um caderno de marca conhecida por R$ 15,90, menos da metade do valor.
“Eu paguei R$ 15,90 como pessoa física. A prefeitura pagou R$ 34,20”, denunciou.
Borrachas, lápis e apontadores também tiveram diferença de valores
A vereadora listou ainda outros itens com diferença de preços, comparando valores pagos pela Prefeitura e os valores encontrados no comércio:
Borracha: prefeitura pagou R$ 2,38 / ela comprou por R$ 0,40
Tesoura: prefeitura pagou cerca de R$ 3,00 / ela comprou por R$ 1,79
Lápis: prefeitura pagou R$ 1,17 / ela comprou por R$ 0,35
Apontador: prefeitura pagou R$ 3,88 / ela comprou por R$ 1,35
Vereadora diz que não quer “atrapalhar”, mas irá fiscalizar
Ao final do pronunciamento, a parlamentar reafirmou que não está contra a gestão municipal, mas sim cumprindo seu papel de fiscalizar e cobrar respeito ao dinheiro público.
“Não estou aqui para atrapalhar o trabalho da prefeita. Estou aqui para fiscalizar e cobrar pelo povo, porque eles merecem respeito”, afirmou.
Ela informou ainda que está com todas as notas fiscais e materiais adquiridos e colocou o gabinete à disposição para quem quiser verificar.
“Agradeço a atenção e disponibilizo todo o material e as notas fiscais para quem quiser conferir”, concluiu.
Jornalismo @miqueiasradio

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